O senador Randolfe Rodrigues publicou mensagem na qual enaltece a história singular de Mazagão Velho, no Amapá, ressaltando a pluralidade de influências que moldaram a comunidade ao longo de mais de dois séculos. Para ele, o distrito não é apenas um marco histórico, mas um símbolo do Brasil profundo, fruto da intersecção de diferentes povos que aqui se estabeleceram e moldaram uma identidade cultural única.
Mazagão Velho teve sua origem no século XVIII, quando a Coroa Portuguesa transferiu famílias da antiga colônia de Mazagão, hoje El Jadida, no Marrocos, para as terras brasileiras às margens do rio Mutuacá, no Amapá. Essa migração ocorreu no contexto de disputas coloniais e estratégias de ocupação do território amazônico, resultando na fundação da vila em meados de 1770. A presença desses colonos, em interação com povos indígenas locais e com a população negra, incluindo descendentes de africanos escravizados, contribuiu para a formação de uma identidade coletiva marcada pela resistência e pelo pertencimento.
Hoje, Mazagão Velho é reconhecido pelo seu patrimônio cultural, especialmente pelas tradições religiosas e festas populares que se mantêm vivas ao longo dos anos. A Festa de São Tiago, celebrada anualmente entre os dias 16 e 28 de julho, é considerada uma das manifestações mais emblemáticas da comunidade, reunindo encenações dramáticas, rituais religiosos e práticas festivas que misturam elementos luso-africanos e indígenas.
A importância cultural dessa vila vai além do turismo e do folclore. Ela representa um espaço onde a memória coletiva é constantemente recontada e transmitida de geração em geração, consolidando o sentimento de pertencimento entre seus moradores. A miscigenação de tradições enriquecidas pela presença de diversos grupos étnicos e culturais confere à comunidade um papel singular no mosaico cultural brasileiro.
A mensagem do senador Randolfe Rodrigues sublinha que celebrar o aniversário de Mazagão Velho é celebrar a história viva do Brasil, em suas múltiplas vozes e expressões. Para ele, afirmar essa trajetória é reconhecer não apenas o passado, mas a presença contínua de uma cultura que pulsa na fé, na memória e no cotidiano de um povo que preserva suas tradições com força e orgulho. Esses elementos tornam Mazagão Velho um marco da diversidade e da resistência cultural no Amapá e no Brasil.
