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Sunday, 26 de May de 2024
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Endocardite infecciosa: da boca ao coração

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Endocardite infecciosa: da boca ao coração

 

Sabe-se que a boca é uma verdadeira concentração de bactérias que se fixam na superfície dos dentes, nas próteses ou na própria mucosa, formando o biofilme. Logo, os perigos que cercam aqueles que pouco se interessam pelos métodos de prevenção da boca são inúmeros. Contudo, esses microrganismos, se acumulados, podem desencadear problemas em outras partes do corpo, como o coração a partir da bacteremia. Considerando essa perspectiva, a falta de cuidados com a saúde bucal leva ao acúmulo de bactérias, bactérias essas, que podem cair na corrente sanguínea durante um procedimento cirúrgico ou a partir da ferida da gengivite ou periodontite, chegando ao coração e se instalar em uma válvula, gerando a endocardite infecciosa.

A endocardite infecciosa é uma doença cardíaca rara, porém grave e algumas vezes fatal, apesar dos modernos tratamentos clínicos com antimicrobianos ou cirúrgicos. 

Os principais fatores de risco da doença são as lesões do endocárdio, provocadas por doenças congênitas ou adquiridas, onde incide a deposição de plaquetas e de fibrina, colonização bacteriana e posterior disseminação da infecção por via sanguínea (bacteremia). Essa bacteremia pode advir da entrada de bactérias no sistema circulatório como consequência de cirurgia bucal ou procedimentos odontológicos que envolvam sangramento. 

Classificada em aguda ou subaguda, que expressa a severidade da doença e seu tempo - de acordo com a virulência dos microrganismos envolvidos -, admite-se que 1 a 8 casos de endocardite infecciosa surgem devido à manipulação odontológica de pacientes cardiopatas, cujas cardiopatias favorecem a sua ocorrência, como é o caso da febre reumática. Desse modo, o atendimento odontológico do paciente com história prévia de febre reumática sem as devidas precauções pode representar risco para alguns deles devido à possibilidade de contrair endocardite infecciosa decorrente de bacteremia durante o procedimento odontológico, pois a doença constitui a principal causa de dano cardíaco antes dos 50 anos de idade. Contudo, a lesão cardíaca irreversível pode ser encontrada entre 30% a 80% das pessoas acometidas pela doença.  Incidência da bacteremia na endocardite

A bacteremia é a presença de bactérias na corrente sanguínea. Pode ocorrer de forma espontânea, durante algumas infecções teciduais, em consequência do uso de cateteres geniturinários ou intravenosos, ou depois de procedimentos dentários, gastrintestinais, geniturinários, cuidados com feridas, ou outros procedimentos. A bacteremia pode causar infecções metastáticas, incluindo endocardite, especialmente nos pacientes com anormalidades valvares cardíacas. 

Encontrada na cavidade oral, ela é transitória, assintomática, de curta duração e não tem significado clínico importante em indivíduos normais, pois o inoculo é pequeno e a virulência dos microrganismos envolvidos é baixa. Entretanto, se torna potencialmente perigosa nos pacientes com doença cardíaca reumática e portadores de próteses cardíacas. Às vezes fica inviável e difícil o estabelecimento do relacionamento entre o procedimento odontológico e a endocardite infecciosa, uma vez que o período decorrido desde o procedimento odontológico até o aparecimento de sintomas de endocardite é variável. O aparecimento dos sintomas ocorre uma semana após o atendimento odontológico em 45% dos casos, um mês após em 75% e dez semanas após em 96% deles”.  

Na literatura, o principal microrganismo encontrado na bacteremia de origem bucal é o estreptococos viridans, que prevalece na cavidade bucal, e é encontrado em 80% das endocardites bacterianas subagudas e em 50% de todos os casos de endocardites. A literatura demonstra que 50% dos casos de endocardite infecciosa são provocados por S.viridans, particularmente pelos S.mutans e S.sanguis. Bacteriemia transitória, adesão de microrganismos às válvulas cardíacas e formação de vegetações de bactérias são reconhecidos como eventos fundamentais na patogênese da endocardite infecciosa. Assim, bacteremia proveniente de procedimentos odontológicos é potencialmente perigosa nos pacientes com doença cardíaca reumática e naqueles portadores de próteses cardíacas. 

Visando a prevenção da possível ocorrência de endocardite infecciosa pós-tratamento odontológico cirúrgico em pacientes acometidos da doença cardíaca reumática ou prótese cardíaca, é de fundamental importância a realização de adequada antissepsia pré-operatória e antibioticoterapia profilática preconizada pela American Heart Association (AHA).  Assim sendo, a antissepsia pré-operatória visa diminuir a um mínimo irredutível o número de microrganismos da cavidade bucal, em especial o número de estreptococos do sulco gengival.

Assim, a prevenção da endocardite infecciosa é de grande importância, particularmente em indivíduos de alto risco como os doentes cardíacos reumáticos, portadores de próteses valvares, shunts ou condutos sistêmico-pulmonares, passado de endocardite e cardiopatia congênita cianótica complexa. Outras situações são de risco moderado como a maioria das cardiopatias congênitas acianóticas, disfunção valvar pela doença reumática, do colágeno, cardiomiopatia hipertrófica e prolapso valvar mitral com regurgitação; as demais são de baixo risco. É importante ressaltar a visita regular ao Cirurgião-Dentista, manter uma boa escovação, bem como usar fio dental e estar atento aos sintomas são fundamentais no processo de prevenção da doença.

 

 

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